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VIOLENCIA CONTRA IDOSOS , O TEXTO FALA POR SI

July 30, 2009
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Diretora do Departamento de Atendimento ao Idoso da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), Irene Queiroz, afirma que o abuso é geralmente praticado por pessoas nas quais os idosos depositam confiança. “Familiares, vizinhos, cuidadores, funcionários de banco, médicos e advogados compõem o perfil da maioria dos agressores”, aponta. Segundo ela, a vítima é frequentemente do sexo feminino, tem mais de 75 anos e vive com familiares. O perfil mais comum é o de uma pessoa passiva, complacente, impotente, dependente e vulnerável. “Essas pessoas costumam ser solitárias e isoladas, podendo apresentar depressão e uma baixa estima reforçada por sentimento de culpa e vergonha”, avalia Irene.

Por outro lado, o agressor também tem tendência a apresentar baixa estima e projetar a responsabilidade de suas ações e frustrações sobre terceiros, possui temperamento explosivo e incapacidade para controlar seus impulsos, compreender e encarar situações. “O perfil básico desse tipo de agressor é um adulto de meia-idade, geralmente um filho, em geral financeiramente dependente da vítima e com problemas mentais e/ou dependente de drogas”, perfila a diretora da Semas.

Irene Queiroz diz que um dos casos mais recorrentes entre as estatísticas de agressões está relacionado à aposentadoria do agredido. Segundo ela, instituições financeiras facilitam o acesso de terceiros a contas e financiamentos em nome do recebedor do benefício previdenciário. “Desta maneira, quem manuseia o cartão do idoso o usa de maneira indevida e, quando o dono questiona, é violentado”, alega.

Ela aponta dados que mostram que, no Brasil, 65% dos idosos consideraram maus-tratos a forma preconceituosa como são tratados pela sociedade em geral: as baixas aposentadorias, os desrespeitos que sofrem no transporte público e a falta de leitos hospitalares para idosos. No nível doméstico, só é relatado como abandono por partes das famílias. “A violência contra a pessoa idosa é um fenômeno universal e representa um importante problema de saúde pública, com prevalência tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. Somente nas últimas décadas é que o tema da violência contra a pessoa idosa tem recebido a atenção da sociedade civil e do Estado”, diz.

Incidência
Enquanto o órgão municipal recebe cinco denúncias por dia, o Conselho Estadual do Idoso registrou na última semana média de sete ligações diárias. Os casos são encaminhados à Polícia Civil e ao Ministério Público. A presidente da entidade, Mafalda Vaz Esteves Ferreira Fonseca, acredita que o aumento se deu em função das ações desenvolvidas antes, durante e após o dia em que se conclamou pelo quarto ano consecutivo o fim da violência e maus tratos contra os idosos. Ela credita o crescente número de denúncias também à divulgação que a Celg fez, a pedido do Ministério Público, nas contas de energia elétrica dos clientes da empresa.

Mafalda explica que, ao contrário do que se imagina, a periferia não concentra a maioria das denúncias. “As queixas partem, na mesma proporção, de bairros da área central. É que os idosos de setores marginalizados têm mais coragem de nos acionar”, argumenta. Ela complementa que o conselho é acionado não apenas para resolver conflitos. “Há muitos pedidos de esclarecimento também.”

Ela destaca que, quanto mais informado o idoso é, menos propenso à violação de seus direitos ele fica. “Quem procura se informar, sabe a quem recorrer. Além disso, dificilmente deixa chegar ao ponto de ser vitimado por qualquer ação violenta, seja ela verbal, psicológica ou física”, expõe.

Mafalda acredita, ainda, que não adianta apenas a instituição de uma legislação que projeta a terceira idade, como o Estatuto do Idoso, nem a criação de uma delegacia especializada, ainda distante da realidade goiana. Para ela, o correto seria criar casas de apoio para que os violentados sejam encorajados a denunciar, mas que tenham onde ser abrigados em seguida, “pois voltar para casa seria um risco”. Por fim, Mafalda lembra que, segundo projeções da Organização Mundial de Saúde, em 2020, 54% da população brasileira terão mais de 60 anos. “Antes disso, os jovens terão de saber ouvir os mais velhos, que terão de entender os mais novos”, conclui.

Saiba mais

Em 2002, os países membros da ONU assinaram, no Canadá, a Declaração de Toronto, que definiu um plano internacional de Prevenção da Violência contra a Pessoa Idosa. O documento propõe estratégias e ações para serem adotadas pelos países membros para a prevenção e intervenção nas diversas manifestações da violência contra a pessoa idosa.

No Brasil, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) lançou em dezembro de 2005 o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa. No documento são expressas as competências e ações dos ministérios e a co-responsabilização dos estados e municípios no desenvolvimento de ações para o enfrentamento da violência a pessoa idosa no território nacional.

Serviço

Risco doméstico
* Dados do Ministério da Saúde apontam que 54% das notificações de agressões a pessoas com 60 anos ou mais foram praticadas dentro de casa. Do total de agressões cometidas por parentes, os filhos são responsáveis por 37% das notificações.


One Comment leave one →
  1. Cris permalink
    August 2, 2009 11:55 pm

    Os idosos são acervos preciosos para quem quer andar a frente de seu tempo.

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