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UMA BOA PARTE DAS FAMILIAS BRASILEIRAS VIVE COM MENOS DE UM SALARIO MINIMO

May 28, 2009

QUEM DISSE QUE NAO DA?

$Ultimamente tenho tido contato com algumas pessoas que afirmam que e impossivel sobreviver com um salario minimo. Entao comecei a pesquisar sobre o assunto e descobri que obviamente nao se pode comer caviar com bolso vazio, mas se voce , como eu ,conhece alguem que ganha mais que um salario, e essa essoa afirma que nao e possivel sobreviver, passe essa materia pra ela e PT SAUDACOES!

24/02/2008 – Tribuna do Norte

Rafael Duarte – Repórter

Vinte e dois de abril. A data remete ao descobrimento do Brasil. Na época, em 1500, um país ainda virgem. Um tempo em que não se ouvia, por exemplo, a expressão salário mínimo. Isso veio depois. Coisa de “estado burguês”, “liberalismo econômico” e outros nomes compostos tão distantes da rotina de quem sobrevive com pouco, muito pouco, quase nada.          

Vinte e dois de abril. A data, agora, remete a uma rua esquecida no conjunto Alvorada, no Jardim Progresso, Zona Norte de Natal. É lá que moram o desempregado Francisco Xavier, a dona-de-casa Maria Cavalcante e os quatro filhos. A única pessoa que trabalha na casa é o filho militar que está noivo, mas repassa o soldo para a casa nova que está montando com a futura esposa. A renda da família vem da pensão – equivalente a um salário mínimo – paga pelo estado ao filho Alan Vitorino, de 15 anos, vítima de paralisia no cérebro aos seis meses de vida. O complemento da renda vem da produção artesanal de Maria – que cuida do garoto – e dos bicos de pedreiro que Francisco se dispõe a aceitar quando não tira os dias para beber. É isso mesmo que você leu. Quando o pai da família resolve ‘tomar uma’ – o tempo, segundo ele mesmo, chega a 20 dias consecutivos – não há emprego oferecido que ele aceite. “Quando eu estou bebendo não consigo fazer nada. Para trabalhar não posso estar melado, senão não dá. O pessoal vem oferecer aqui, mas prefiro pegar quando estiver bem. Chego a ficar seis meses sem beber, mas quando começo bebo uns 20 dias”, disse.       

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, cerca de 115 mil pessoas ganham entre meio e um salário mínimo no Rio Grande do Norte. O que mais assusta é que boa parte dessas pessoas sustenta famílias numerosas com apenas R$ 380. 

A TRIBUNA DO NORTE percorreu esta semana as Zonas Norte, Sul e Oeste da capital para ver como algumas dessas famílias sobrevivem com tão pouco. O cenário é de pobreza, mas também de solidariedade. Em todas as casas que a reportagem visitou, a constatação de que quando a coisa aperta os vizinhos são os primeiros a chegar junto.

A história do pedreiro que tem um filho paralítico, mas só resolve trabalhar quando decide parar de beber por algumas semanas é apenas um dos casos espalhados pelo RN. Assim como a história do aposentado Francisco Henrique, que sustenta a família de 11 pessoas em Felipe Camarão com R$ 140 (os outros R$ 240 são descontados todos os meses para pagar empréstimos).   

 

Era para ser básico…

Para quem se surpreende com a mágica que essas pessoas fazem com dinheiro e não sabe o valor de uma cesta básica pode ficar ainda mais abismado. Segundo o Instituto de Defesa do Meio Ambiente (IDEMA), um ‘sacolão’ com os 13 produtos básicos (carne de boi, arroz, feijão, leite, pão, tubérculos, legumes, frutas, café, açúcar, óleo, margarina e farinha) para uma família de quatro pessoas no Estado, não sai por menos de R$  646,48.

De acordo com o chefe da equipe de pesquisa do Índice de Preço ao Consumidor e Cesta Básica do Idema, Azaías de Oliveira, se ainda fosse adicionada, à cesta, outros produtos básicos da área de vestuário, despesa pessoal e transporte, o valor chegaria a R$ 1396,12. “Na cesta não tem nem geléia nem queijo, é o básico mesmo. Tem meses que esses valores mudam positivamente ou negativamente. Em janeiro, por exemplo, subiram os preços do feijão, farinha, óleo, café e carne) e caíram os preços do leite, legumes, açúcar e margarina). A cesta para um pessoa ficou a R$ 161,62, um aumento de 6,61% em relação ao mês de dezembro”, disse.

Mulheres tem perfis e salários semelhantes

O salário mínimo também sustenta muita barriga na Zona Sul da cidade. Na Vila de Ponta Negra, por exemplo, há um contraste nítido entre os grandes investimentos estrangeiros que aportam no bairro e a situação financeira da população local. O caso da engomadeira Adriana da Silva, 26 anos, é emblemático. Divorciada e mãe de três filhos, ela sustenta a casa com o salário e a cesta-básica que recebe da lavanderia Primavera. “Comecei semana passada aqui e estou gostando muito. Trabalhava como empregada doméstica numa casa de família em Capim Macio e recebia apenas um salário. Agora também tem um sacolão e é mais tranqüilo. Na casa eu cozinhava, lavava, engomava e limpava tudo. Aqui sou só engomadeira”, conta. 

A pequena empresa no burburinho da Vila emprega hoje nove mulheres com perfis semelhantes. A maioria ainda complementa o orçamento de casa com a ajuda do marido ou dos filhos. No caso, de Adriana, é tudo com ela. “São quatro bocas lá em casa. Só de aluguel pago R$ 230, é mais da metade do salário. Ainda tem mais R$ 30 de água e o que sobra é para a comida e roupa. Tenho algumas dívidas porque a gente não consegue pagar tudo, muita coisa boto no cartão, peço para um amigo parcelar para mim… chegaram a cortar a luz de casa uma vez, mas hoje está tudo pago”, lembra.

Para a engomadeira, com um salário de R$ 1500 sua família viveria sem grandes dificuldades.  Ela conta que na rua onde mora conhece algumas famílias que vivem em situação semelhante, ainda que recebam ajuda dos maridos. Nas conversas de calçada, é vista como “uma mulher corajosa”. É o bastante para ser feliz. “Sou muito feliz. Tenho saúde, meus filhos são perfeitos, sou evangélica, tenho Deus”, disse.

Aposentado sustenta família e paga dois empréstimos

Difícil acreditar também na história de vida da família do aposentado por invalidez Francisco Henrique, 66 anos. Para pagar as contas que não conseguiu quitar com o minguado salário mínimo que vem do INSS, o ex-agricultor da região de Lagoa Salgada achou de fazer dois empréstimos no valor de R$ 1200 e R$ 1400. O resultado do ‘desespero’, como ele mesmo define a situação, é que nem todas as contas zeraram e, desde o ano passado, Henrique sustenta a família de 11 pessoas com apenas R$ 140.

Ele, a esposa e nove dos dez filhos do último casamento moram numa casinha simples de três cômodos em Felipe Camarão. Estreita e suja, a quarta travessa de Miraé, endereço que vem nas contas de luz atrasadas há dois meses, abriga ainda outras três famílias em situação de pobreza. Só quem não reclama é a garotada, entre cinco e 22 anos. Dos nove, seis estão na escola e nenhum trabalha para ajudar no orçamento.  

  Francisco Henrique diz que conta com a ajuda dos vizinhos e do conselho comunitário para garantir a comida dos filhos. “Às vezes o pessoal traz aqui e acolá um ‘sacolão’ para ajudar. Minha mulher é evangélica e sempre tem alguém da igreja que traz alguma coisa também. É difícil, mas vai fazer o quê? Nem eu nem a mulher podemos mais trabalhar por causa de problema de saúde, pressão alta. Mas a gente consegue viver”, afirmou seu Francisco, que chegou a trabalhar de vigia numa loja do Alecrim que pertencia ao prefeito de Lagoa Salgada. 

 Além da energia elétrica, a água da casa também foi cortada. O banho e a luz são possíveis através de gambiarras. No dia em que a reportagem esteve em Felipe Camarão, quarta-feira, feijão e salsicha era tudo o que tinha para o almoço. No bolso, seu Francisco ainda carregava duas notas de R$ 20, guardadas a muito custo para durar até o fim do mês. “Antigamente, tinha dia da gente gastar 40 reais num dia só comprando as coisas. Agora não tem como não. Quando falta comida e ninguém ajuda, a gente mistura, sempre dá um jeito”, disse.

Indagado se alguma vez se arrependeu de fazer tantos filhos, diz que só a esposa, às vezes, reclama. E revela que estes nove filhos são apenas do último casamento. “Tenho mais nove meninos. Essa é minha quarta mulher. Tive três com cada uma das outras três, mas só casei uma vez. Eu não me arrependo porque eles não têm culpa de nada”, reflete.

TA GANHANDO POUCO? VAI RALAR MEU AMIGO. O SOL NASCEU PRA TODOS E SO TER DIPOSICAO PRA ENCARAR O BRONZE!

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