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VISITANDO A SANTA CASA

April 13, 2009

santa-casaHoje foi minha primeira visita a Santa Casa da Misericordia do RJ.  A Santa Casa era um dos melhores hospitais do Estado do Rio, mas o tempo e a falta de verba , sao visiveis da entrada a saida dos predios que a compoe.A Santa Casa é uma entidade sem fins lucrativos independente. Não recebe verbas públicas, sendo remunerada unicamente pelo SUS pelos serviços hospitalares prestados. Mesmo assim ela continua  atendendo a população  desde o nascimento até o fim da vida. Mas essa instituicao necessita de ajuda.

Eu tiro chapeu para as pessoas e inumeros profissionais que trabalham como voluntarios em um ambiente tao contraditorio, marcado pela deteriorizacao. Um dos nossos problemas nesse Pais e esperar que o Governo faca, realize, enquanto permanecemos de bracos cruzados. Todos podem ajudar , seja com trabalho fisico ou pequena quantia o importante e participar. Nada e em vao. Se cada Carica desse apenas R$1,00 ( um real) ja seria o suficiente para salvar inumeras vidas.

Fui recebida pela Psicologa Valeria, que com um sorriso no rosto me atendeu no corredor, em uma cadeira improvisada. Apos responder inumeras perguntas e mais uma vez tomar conhecimento de todos os procedimentos em relacao a Mola, fui direcionada ao corredor de espera ate chegar minha vez de ser apresentada ao papa da gravidez Molar , Dr. Belfort.

Eramos cerca de 10 pacientes, na faixa etaria distinta de 14 a 20 anos e de 40 anos em diante. Estavamos todas acompanhadas , pelo menos a maioria , por amigos (como eu) , maes e namorados, maridos. A fotografia nao era a das mais bonitas, todas  nos ali precisavamos de diversos retoques. Olhos vermelhos, flash, coloracao , todos os efeitos de laboratorio seriam bem vindos para essa foto.

Duas das pacientes usavam chapeu, resultado da quimioterapia. As demais conversavam sobre o tratamento: _ Qual sua taxa hoje, baixou ou aumentou? Essas frases ja soavam familiares aos meus ouvidos .

O que mais me chamou a tencao, mas nao foi novidade, foi a simplicidade das pessoas que ali se encontravam. Meninas e senhoras de baixo poder aquisitivo, como diz o blog do Dr. Belfort, anomalia registrada em  Paises pobres. Mas eu estava do outro lado do mundo Dr…. :)! Deus tem seus planos.

Depois de algum tempo, nao sei quanto, eram tantos registros sendo depositados na minha mente que por alguns momentos parecia estar fora de orbita. Terra chama… Lidiane!

Foi assim que me chamaram para conhecer o” Senhor da Mola”! Como sempre meu nome foi mais uma vez pronunciado  errado! LILIANE  por favor , ok? :)!

Entrei na primeira sala que mais parecia um corredor, ja sabendo que na semana que vem estarei no mesmo “bat local”, na mesma “bat hora”. Estavam ali 3 medicos, dois com experiencia nas faces marcadas pelas rugas e um residente. Em um ambiente tenso conseguimos manter os sorrisos entre um comentario e outro do PAGETURNED.

Mais uma vez repeti a historia que nos ultimos dias  assola minha mente,  desde a primeira cirurgia em US, ate hoje no corredor. A unica coisa certa ate o momento era a incerteza de ambas as partes, tanot minha quanto a dos medicos que ali estavam.

Uma mulher chora, em outra sala.

Uma mae de uma adolescente de 17 anos com Mola, pedia ajuda. ” _ Mas seu Dr. temos que vir toda semana, moramos longe… R$20,00 toda semana para o exame de sangue e mais o onibus?! -Dr. nao posso pagar, moro longe estou desempregada…” No meio de tanta distracao relevante, que eu preferiria nao ser coadjuvante, minha forca era minha companhia, que sem saber onde meu pensamento se encontrava, me olhava seria para saber se eu estava prestando atencao ao que o medico falava.

Valquiria como sempre foi peca principal nessa segunda-feira , nublada e conturbada. Dois V’s, sao sempre meu apoio nos momentos mais diversos dessa minha trajetoria ( Valeria e Valquiria) .

Foi entao que fui encaminhada ao exame local, uma sala escura, roupas de cama e roupao que pareciam ter sidos trazidos da casa de algum funcionario, no intuito de ajudar. E ali, nos corredores, nesse ambiente sorumbatico, esta o PAPA! Assim como no segundo andar se encontra outro papa da medicina Dr. Pitanguy entre outros que no momento os grandes nomes me fogem a mente.

– Examinada por um residente e sangrando??????? Foi assim na terceira parte do corredor. Abrir perna, fechar perna, nessa conjuntura ja e mecanico. Tenho ate que tomar um certo cuidado pra nao tirar a roupa em hora e momento inoportuno🙂 ! A hemorragia e um dos sintomas da Mola, sendo assim…no way out! Vamos la doutor!

Depois do exame , entrei na fila para a apresentacao que eu aguardava com ansiedade, apenas mais uma ansiedade entre tantas outras. Um senhor de cabelos grisalhos, rodeado de residentes inclusive internacionais, me recebeu com um sorriso , obviamente em resposta, devolvi o agrado. Para comecar , confundi o residente, o mesmo que fez meu exame e um dos questionarios. Coitado do rapaz, diga-se de passagem que gatinho da medicina, recebeu 2 (dois) foras do mestre por minha culpa. Ah…Lidiane!

Dr. Belfort com a sabedoria e experiencia de anos estudando essa anomalia , desconhecida em alguns Paises, foi gentil, direto , pois segundo o proprio, ali se trata muito bem pessoas vindas de fora do Pais. Posso garantir que foi apenas uma brincadeira a minha pessoa, porque ali nao se faz diferenca de cor, raca ou poder aquisitivo. Carinho e atencao sao dispensados a todas as pacientes. Me senti tao tranquila, fui encaminhada para o lugar certo. Que contradicao! Em meio a ruinas, em meio a estrutura zero, encontrei o mestre da medicina, sem duvida alguma orientado por Deus.

Conversamos. Desta vez foi o Dr. Belfort que me perguntou, “- O que e Mola? ”  Depois das explicacoes evasivas da “Jornalista fora das cameras” o acompanhamento foi explicado. No final ja estavamos conversando sobre outra personalidade que frente ao Dr. Belfort se tornou minima, Pres. Obama.Ao sairmos da sala o professor explicava aos alunos o meu caso. Que para ajudar , nao tinha o resultado escrito dos exames feitos nem em US muito menos os daqui.Ah Lidiane! Ate quando vao errar meu nome?

Deus opera da forma que ele quer , na hora que ele deseja. Sai com peito enchendo de leite, utero dolorido,exames para fazer , o e-mail do Dr. nas maos para contato e um sorriso largo. Nas maos de quem sabe o que faz, e ai que estou. Foi para la que o Senhor e enviou. Sem plano de saude sendo atendida pelo mestre da Mola no Brasil. Atendimento no corredor? Em tudo dai gracas, Imagina se fosse na calcada!

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